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[ Economia ] Reforma tributária e pequena empresa são prioridades dos pré-candidatos à Presidência

Os três presidenciáveis participaram, nesta terça-feira (25), de encontro na Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília

Bernardo Rebello



*Da Agência Sebrae de Notícias 
A necessidade da reforma tributária é o grande consenso entre os três pré-candidatos à Presidência da República: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Os três presidenciáveis participaram nesta terça-feira (25) de encontro na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, e defenderam tratamento diferenciado para a micro e pequena empresa. Todas as falas tiveram como foco principal o documento ‘A Indústria e o Brasil – Uma Agenda para Crescer Mais e Melhor’, elaborado pela Confederação.

O documento, de 230 páginas, faz um amplo diagnóstico dos entraves à maior competitividade da economia e afirma ser possível crescer a taxas anuais de 5,5%. Diz que tal desempenho permitirá dobrar, em 15 anos, a renda per capita anual, hoje de US$ 10.465. No atual ritmo seriam necessários 21 anos. Onze páginas do documento tratam das micro e pequenas empresas, que representam 98% das indústrias brasileiras, geram 43,7% dos postos de trabalho do setor industrial e, por serem pequenas, são mais flexíveis e têm mais capacidade para responder a inovações.

De acordo com o documento da CNI, fatores como câmbio, que apresenta valorização de 38%, tributação, difícil acesso a crédito, juros reais (descontada a inflação) altos, relação trabalhista, burocracia e a falta de priorização da educação básica são fatores críticos que afetam diretamente a competitividade do Brasil. Não houve debates entre os candidatos. Após ouvirem a explanação resumida do documento, que aponta as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional, os presidenciáveis tiveram um tempo para expor suas idéias programáticas.

Depois de sorteio, Dilma Rousseff foi a primeira a falar. A candidata fez um balanço das conquistas do governo Lula a partir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e firmou compromisso com a reforma tributária, que ela chamou de “Reforma das reformas”: “A situação tributária no Brasil é caótica. Ela onera a todos: governo e empresa. Assumo aqui um compromisso de realizar essa reforma. A partir dela será possível estimular o investimento, a exportação e a criação de emprego”, disse.

Dilma defendeu a estabilidade macroeconômica e a política de desoneração de investimentos e da folha de pagamentos. Ela também ressaltou que no seu governo micro e pequenas empresas terão tratamento diferenciado. “Sou a favor da criação de um ministério para o segmento; ele dará robustez não só ao tecido econômico como também ao tecido social. O problema enfrentado pela micro e pequena empresa é diferente dos enfrentados pelas grandes empresas. Elas precisam de incentivos tributários, crédito e incorporação de tecnologia”, disse. Para finalizar, firmou três compromissos: situar a economia brasileira entre as principais do mundo, crescer de forma sustentada e distribuir renda de forma permanente e sustentável.

Taxas de juros

O candidato José Serra foi o segundo a se apresentar. Inicialmente ele elogiou a CNI pela iniciativa e pela elaboração do documento, o qual afirmou ter lido todo atentamente. Defendeu como prioridade para o país “a geração de emprego e renda”. Ele concordou com o documento da CNI quando aponta a carga tributária, o custo de capital, a logística e a infra-estrutura como atuais entraves para a competitividade das indústrias brasileiras.

"O Brasil tem a maior carga tributária do mundo e a maior taxa de juros entre os países emergentes, afirmou. Serra defendeu maior investimento em infra-estrutura e também que é preciso gastar menos com a máquina e mais com a população.

Micro e pequena empresa

Marina Silva também defendeu a reforma tributária: “O grande desafio é pensar o Brasil para daqui a 30 anos; precisamos integrar as iniciativas positivas”. Marina elogiou as conquistas do governo Lula, como os programas de distribuição de renda, assim como as do governo Fernando Henrique, como o Plano Real, que estabilizou a economia.

Sabatinada por empresários, ela foi questionada sobre suas prioridades para as micro e pequenas empresas. “No Brasil há lugar para as micro, pequenas, médias e grandes empresas. Porém, as de menor porte precisam de um maior acolhimento por parte do estado. Em São Paulo, leva-se três meses para se abrir uma empresa, já no Espírito Santo são gastos apenas três dias. Não precisamos inventar a roda, apenas adotar boas idéias como políticas públicas”, afirmou.